quinta-feira, setembro 06, 2007

Plebe e Ira!

Já que o Ira! vai tirar férias, vale a pena recordar um pouco da relação deles com a Plebe.

Quando começamos a sair de Brasília, São Paulo foi uma das primeiras cidades que nos receberam. Tocamos no fechamento do Napal em 1984 e conhecemos um mundo totalmente diferente daquele que vivíamos no DF. Tinha uma cena vibrante, com gente interessante e pessoas interessadas em ouvir, participar dos shows. Tinha casas noturnas, que tocavam música boa, rádios, lojas de disco e mulheres idependentes. As pessoas de nossa idade não moravam mais com os pais, trabalhavam, tinham fonte de renda própria. Universo paralelo mesmo.

Uma das bandas que mais nos acolheu foi o Ira! Acho que isso se deve à dificuldade de rotular – à época, claro. A grande pergunta era: vocês são new wave ou punks? Bem, punk eram aqueles moicanos, de coturnos, casaco de couro, andavam em gangs e ouviam hardcore. New Wave era o Kid Abelha. Não éramos nem um, nem outro. Ouvíamos punk 77, mas estávamos ligados no post-punk. Tínhamos um pé no punk e outro na sua evolução.

Voltamos para passar o verão em SP. Onde que fomos ensaiar? Na casa de um dos membros do Ira!, pra lá de Tatuapé. Não me lembro de quem era. Começamos a andar com o pessoal do Número Dois (depois Akira S e as Garotas Que Erraram). O Nasí estava sempre por perto. Philippe se entendia com o Edgar.

Nosso primeiro show fora de Brasília, já com o contrato foi na Bahia. O segundo, foi num festival em Juiz de Fora. O Ira! estava lá e isso foi ótimo, pois nos diferenciou dos outros que lá estavam e não tinha nada a ver com a gente.

Durante a divulgação do Mais Raiva, fizemos um show em BH com o Ira! Eles viajaram de ônibus com a gente. Foi, no mínimo, pitoresco!

Férias de uma ano! Quero o contrário! Trabalhar duro um ano inteiro. No palco, tocando. Bom descanço.

terça-feira, setembro 04, 2007

Plebe: Processo Criativo

Achei boa a pergunta da Aline: como é que é o processo criativo da Plebe? Identifico três vias pelas quais as músicas que chegam nos nossos discos saem. O importante aqui é que não importa qual, no final, a música sempre tem a chancela do Philippe e minha. Sempre foi assim, desde que compusemos a primeira versão de Nada, em 1982, no escritório da casa dos Seabras, até O Que Se Faz, em 2005, no estúdio Daybreak Gentelmen, que fica no ex-quarto do Ricky na casa dos Seabras.

A primeira é a composição individual. Geralmente vinda do Philippe, que chega com um idéia pronta, início, meio e fim. Não que outros não possam palpitar, palpitam muito, mas como a canção já tem formato próprio, já tem cara de música, não muda muito. Tudo bem que a gente fica meses aperfeiçoando a letra. Sobre isso, um fato curioso: o Philippe mantém em cadernos espiralados, tipo aqueles de colégio, todas as versões de todas as letras da Plebe. Desde da idéia inicial, até a que saiu no disco. Interessante ver como mudam, algumas drasticamente.

A segunda maneira de nascer uma música da Plebe é a apresentação de um riff ou uma meia-idéia. A música não está nem perto de pronta, não tem letra, é só uma linha de baixo, por exemplo. Daí o Philippe pega, fica tocando, experimentando, e a coisa vai ganhando forma. Geralmente isso é feito no violão, com eu no baixo, até desligado. É um processo lento, mas pelo qual sai boas canções, como O Que Se Faz. De novo, meses batalhando em cima da letra uma vez definida a harmonia vocal.

A última forma é o jam. Tem que ser com a banda toda. Começamos do nada e alguém toca algo legal. “Repita isso! Toque em Lá!” e assim idéias viram música. Remota Possibilidade e R ao Contrário surgiram de tais encontros informais.

O interessante é que estamos voltando ao estúdio do Philippe justamente para retomar o processo de compor. Vamos ver o que saí.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Eddie & the Hot Rods


Vamos falar de raízes. Quando mencionam o punk, muitos apontam para os óbvios Stooges, MC5 e New York Dolls. Tudo bem, foram importantes, mas tem uma banda que injusticadamente sempre é esquecida: Eddie & the Hot Rods. O som, em 1975, era mais pesado e rápido que o progressivo e glam que dominava. Eram virtuosos, mas na contramão do Yes e Cia., as músicas eram curtas, não passando dos três minutos.

Mas o que leva a banda para uma posição importante no ranking daqueles que influenciaram o punk são as letras. Veja (ouça) Teenage Depression. Eu ouvindo isso com 16 anos virou meu mundo! Não mais precisava ficar aquentando o Robert Plant cantando baby, baby, baby. Não mais precisava ouvir o Rick Wakeman contar a viagem ao centro da terra. Finalmente, alguém cantava sobre coisas que conseguia me relacionar.

O Jake Burns, líder do Stiff Little Fingers, já disse em entrevista que toda música que ele compõe tem como base o Do Anything You Wanna Do. De novo, ouvindo isso com 17, junto com o Never Mind e o primeiro Clash, foi identificação na hora. Faça aquilo que quiser, não seja influenciado, era a mensagem. Nessa altura, meus LPs do Deep Purple, do Rush e do ELP já tinham virado alvo da minha espingarda de chumbo.

Posto três vídeos dos Hot Rods. Dois antigos e um mais novo (sim, os caras estão acabados – põe acabado nisso! – mas ainda estão na estrada!).

E por incrível que pareça, tirando os Ramones, foi a banda gringa que mais vi ao vivo. Por alguma coincidência incrível, cada vez que viajava para fora, tinha um show dos Hot Rods. Energia pura!